por Felipe Fortuna

QUANDO QUEIMAM AS BIBLIOTECAS
Felipe Fortuna

Tudo é possível quando a política se une à barbárie – incluindo-se a publicação de um livro e a queima de uma biblioteca. Cada um de nós reagirá de modo previsível diante do lançamento editorial e do ato de vandalismo: respeito e admiração por um, horror e repulsa pelo outro. Num poema ainda ensinado nas escolas francesas como lição de humanismo, "De Quem é o Erro?", Victor Hugo castiga com dureza uma pessoa que acaba de confessar haver incendiado uma biblioteca. E começa a exclamar colericamente: "Crime cometido por você contra você mesmo, infame! / Você acaba de matar o raio de luz de sua alma! / É a sua própria chama que você acaba de assoprar! / (…) Uma biblioteca é um ato de fé (…) / Então você esqueceu que o seu libertador / É o livro? (…)" Terminada a longa descompostura, em tom de sermão, o poeta que falou sobre a verdade, a virtude e o progresso permite que o delinqüente possa pronunciar uma única frase: "Eu não sei ler." Subitamente, todo o poema se transforma numa composição irônica na qual a força moral do poeta torna-se oca diante do descaso da sociedade em relação a um analfabeto, que reagiu e se vingou a seu modo.
Por associação, lembrei-me do poema enquanto lia um ensaio perturbador, "Por Que Queimamos as Bibliotecas?", que trata das violências sociais contra a cultura escrita. Seus autores são dois sociólogos franceses, Denis Merklen e Numa Murard, estudiosos dos recentes episódios de revolta popular que atingiram os subúrbios de Paris – e, especialmente, as bibliotecas de bairro. Eles explicam que, desde 2005, dezenas de bibliotecas foram atacadas e destruídas por moradores do lugar, e se perguntam qual seria o alvo nos casos em questão: uma instituição pública? um prédio que representa o poder ou a República? Essas questões conduzem os sociólogos, por fim, à interrogação decisiva: o que significa, para os vândalos, uma biblioteca?
Imaginei que, tal como aconteceu no poema de Victor Hugo, os responsáveis pelo incêndio seriam chamados a falar, para que pudéssemos conhecer sua motivação. Seriam eles "analfabetos" ou cidadãos "que não sabem ler" e protestam, então, contra os poderosos "iletrados" que se encontram do lado oposto? Não escapa aos sociólogos a quantidade de contradições acumulada no ato de destruir: pois, embora trazida pela municipalidade, a biblioteca oferece algum prestígio ao local. No caso de um país como a França, a biblioteca também se ocupa de abrigar a cultura de diversas etnias, e assim há livros em árabe, em línguas asiáticas e em espanhol nas prateleiras. Trata-se, pois, de um espaço de afirmação individual – a servir até mesmo às mulheres, que encontram na biblioteca, muitas vezes, um modo de escapar ao controle patriarcal.
Aparentemente, contudo, "as bibliotecas são percebidas às vezes como uma força social vinda do exterior". Ou seja: o espaço de leitura atuaria como a imposição de uma ordem sobre a outra, pela qual até mesmo a disciplina, o isolamento e a interiorização que caracterizam a relação do corpo com o livro se opõem à cultura da rua – que se manifesta pelos protestos do rap, do hip-hop e por agitações e movimentos ruidosos. Nesse sentido, o Estado promoveria um "espaço de virtude" contrário aos desarranjos sociais. Pior ainda: como se fossem a repercussão do poema de Victor Hugo, os ataques recentes às bibliotecas são executados pelos excluídos dos empregos e das escolas, que se sentem ameaçados pelo poder estabelecido a partir do domínio da palavra escrita. Ou como exclamou um cidadão entrevistado para a pesquisa sociológica: "Me dê trabalho no lugar de bibliotecas!".
Infelizmente para os que se horrorizam diante da queima dos livros, os protestos nos subúrbios de Paris demonstrariam que uma biblioteca pode ser apenas um presente estatal com vistas a serenar os conflitos da sociedade.
Termino a leitura do ensaio em estado de perplexidade: sou de um país onde as bibliotecas são historicamente atacadas não por incendiários populares, mas pelo contínuo abandono e pela escassez de recursos financeiros e humanos. Em vez de fogo, há mofo, poeira, descaso e obsolescência. Na minha infância, por mais que insistisse, não havia biblioteca pública habilitada a estimular a leitura ou alguma vocação. Estudei numa faculdade federal cuja biblioteca, segundo me relatam, foi indignamente surrupiada: pilharam-lhe, por exemplo, edições raríssimas de Luís de Camões e primeiras edições de Machado de Assis, em meio a goteiras e infiltrações. Portanto, se houvesse necessidade de uma agitação social, no caso em questão, creio que teria caráter paradoxalmente construtivo: as pessoas exigiriam locais adequados de leitura, em vez de incendiá-los. E existem iniciativas assim, freqüentemente focadas pela mídia como excentricidades: o pedreiro que mora num subúrbio carioca decidiu transformar a sua casa em biblioteca, pois considera que "o livro transmite a vida"; em Brasília, um comerciante estabeleceu um sistema bem-sucedido de empréstimos grátis de livros em pontos de ônibus.
Mas algo ainda me inquieta nessas histórias de vândalos e bibliotecas. Trata-se, em poucas palavras, de uma advertência que encontrei num ensaio justamente intitulado "Alfabetização Humanista", incluído por George Steiner em seu livro Linguagem e Silêncio (1967). O autor indica que estudará "linguagem, literatura e o inumano", e se mostra pessimista quanto ao valor de uma cultura literária e humanística: "O grau máximo de barbárie política desenvolveu-se no cerne da Europa. (…) Sabemos que alguns dos homens que conceberam e administraram Auschwitz foram educados lendo Shakespeare ou Goethe, e continuavam a lê-los. Isso tem uma óbvia e assustadora relevância para o estudo ou ensinamento da literatura." Para o crítico, haveria "uma contradição entre o teor de inteligência moral desenvolvido no estudo da literatura e aquele necessário ao discernimento social e político."
O que fazer? Estaríamos sob o ataque dos que não sabem ler, dos que não querem ou não podem ler, e dos que sabem ler e não se importam com os valores humanistas essenciais. E é por isso que as bibliotecas queimam – e, em casos extremos, as pessoas também.
Felipe Fortuna

comentario do Carlos
[Carlos] [US ]
Oh…dois dias fora do mundo cibernético e parece que séculos e séculos já foram discutidos. Pois bem, recentemente andei visitando alguns blogs situados em revistas bem populares. Baseado nesses blogs, chego a uma conclusão bem simples no que se refere aos "incêndios" em bibliotecas: TODAS as bibliotecas do mundo e TODOS os livros podem ser queimados, DESDE que não queimem a BÍBLIA e os exemplares da revista VEJA.

da Valeria
Achar q a leitura vai ensinar/incentivar/promover/apururar o espírito de alguém, q só só há um caminho/objetivo p quem desfruta disso é tolice; talvez possa estimular a capacidade de pensar e argumentar, de transformar;mas pode manipular tb,pode ser violência tb. Há um horizonte de caminhos possíveis, pensáveis e impensáveis. O q vai se fazer c/ isso, como será consumido ou estruturado ñ se sabe. Sem falar no fato q a gente cola arte com função, gosto, moral, beleza… Vc pode enriquecer urânio com objetivos diversos; vc pode escolher o q fazer com tudo, a História taí como exemplo. Consumir, receber, usar, pensar, mudar?Lembro duma frase q mexeu comigo: "nunca houve um monumento da cultura q ñ fosse tb um monumento da barbárie …uma cultura ñ é isenta de barbárie, ñ o é tampouco, o processo de transmissão da cultura", Benjamin. Felipe pergunta: o q fazer? Uso Tchehov em seus incontáveis contos p responder: ñ sei. As bibliotecas somos nós; nós estamos queimando outros e nos queimando.
Valéria

Mau: diminua o Rivotril: a longo prazo eh peeeeeesssssimo! Eu que o diga! LOVE G

do Vampiro Inao vivo mais sem vc e vc sabe disso!!!!)
Sandra, o Gerald "tá di mal" com a gente, he, he…Só destaca comentários dos "progressistas". Não perceberam ainda que hoje eles são "o velho" e nós o "novo". Que eles são os "reaça", com suas crenças, ideologias que cheiram a mofo..
O Vampiro de Curitiba

40 Comments

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40 responses to “por Felipe Fortuna

  1. O Vampiro de Curitiba

    Gerald, eu também não vivo mais sem você, seu reaça!

  2. fabio] [são paulo

    Sabe, ANA??! Eu curto MUITO LER, mas escrever eu ACHO MAIS DIFÍCIL, ENTENDE?!Então quando ALGUÉM vai escrever sobre o QUE “AMA”, é melhor fazer um “RASCUNHO”, pra não escrever UM “TRATADO” LONGO, CHATO, DESNECESSÁRIO, CANSATIVO e as vezes “pretencioso”. Por mais BEM INTENCIONADO que o “AUTOR”, ESTEJA!Acho o Felipe bem intencionado, porém, ele dá TANTA VOLTA que quem SÓFRE DE LABIRINTITE, MÓRRE ANTES DO TEXTO. Depois vem as “TÉSES” de doutorado dos “cometários”, TEM CADA UMA…!!!Eu não acho que estou sendo SEM EDUCAÇÃO,NÃO, um pouco “SECO”, talvez.Mas, blóg é assim MESMO.Quando eu for escrever sobre algo que AMO OU ME DÁ TESÃO, procurarei fazer um “rascunho” ou “resumo” ou sei lá o que, PRÁ NÃO VIAJAR NA MARIONÉSE, e não TORRÁ-LOS com divagações “lúdicas”.

  3. Carlos] [US

    Sim, Vampiro, era eu sim queimando exemplares da revista Veja na frente da casa do Mainardi. E por falar nisso, já ouviu falar no JFK? (não o aeroporto). Pois é, fui eu também. Falaram que foi um tiro, mas não foi. Fui eu que atirei a revista Veja contra a cabeça dele e deu no que deu. Como você vê, a revista Veja faz um estrago enorme na cabeça das pessoas, a Jacqueline que o diria.

  4. O Vampiro de Curitiba

    Sandra, o Gerald “tá di mal” com a gente, he, he…Só destaca comentários dos “progressistas”. Não perceberam ainda que hoje eles são “o velho” e nós o “novo”. Que eles são os “reaça”, com suas crenças, ideologias que cheiram a mofo..

  5. Valéria] [RJ

    Achar q a leitura vai ensinar/incentivar/promover/apururar o espírito de alguém, q só só há um caminho/objetivo p quem desfruta disso é tolice; talvez possa estimular a capacidade de pensar e argumentar, de transformar;mas pode manipular tb,pode ser violência tb. Há um horizonte de caminhos possíveis, pensáveis e impensáveis. O q vai se fazer c/ isso, como será consumido ou estruturado ñ se sabe. Sem falar no fato q a gente cola arte com função, gosto, moral, beleza… Vc pode enriquecer urânio com objetivos diversos; vc pode escolher o q fazer com tudo, a História taí como exemplo. Consumir, receber, usar, pensar, mudar?Lembro duma frase q mexeu comigo: “nunca houve um monumento da cultura q ñ fosse tb um monumento da barbárie …uma cultura ñ é isenta de barbárie, ñ o é tampouco, o processo de transmissão da cultura”, Benjamin. Felipe pergunta: o q fazer? Uso Tchehov em seus incontáveis contos p responder: ñ sei. As bibliotecas somos nós; nós estamos queimando outros e nos queimando.

  6. Mau

    DIZEM – “Pela primeira vez passamos pela crise do leitor – há muitos autores e poucos leitores”… Será?? A mídia diz que o mercado de livros cresce – é verdade – o mercado de biografias. Mas antes ler biografias do que não ler, me disse um conhecido. Talvez tbm tenha blogs demais da conta e poucos leitores. Ou serão os poucos leitores fazendo seus blogs (enchendo linguiça na Net)…Percebem que tudo dá na mesma incoerência. Compliquei-me, preciso aumentar a dose do meu Rivoltrillllllllll ililil!!!

  7. Ana

    Carlos: Bíblia, Veja, Forbes, e algumas publicações duvidosas do reino da moda por exemplo… Que tal? Literatura não é, nem de longe, vista como merece, ou no tanto que significa. Infelizmente.

  8. Ana

    Ô Fábio, você poderia ao menos ter a educação de não comentar nada sobre o texto, se este não dialogou com você. O texto não é idiota. É uma preocupação genuína do Felipe e de muitas pessoas que prezam a cultura. Claro que as bibliotecas (esquecidas ou incineradas) não são o maior problema do mundo – poderiam ser sua solução. Mas por favor entenda que quem faz aquilo que ama, vai defender aquilo que ama. Quem não faz aquilo que ama vai odiar – e consequentemente atacar – tudo. Não faça isso. Busque pelo que te dá tesão, e encha isso de graça!, ok?

  9. Sandra

    Recordações que esse post despertou:
    1-Uma carta que um aluno de um programa de alfabetização para adultos escreveu para a mãe já falecida: Mãe, veja, finalmente sei ler. 2-A conversa de um grupo de adultos, quando eu tinha 10 anos. Um dos presentes contava que a avó de um amigo, de uns 70 anos, entrou no MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização, para quem não é tão “clássico”). E dizia: Mas depois de velha…para que? O sangue subiu!!! Falei: Ela está certa! Todo mundo concordou, até quem tinha dito a bobagem. 3-Nas eleições, um rapaz que pediu a tinta para marcar o polegar. 4-Na mesma eleição, um senhor começou a desenhar um monte de garranchos. Eu o conhecia (todo mundo conhecia todo mundo naquela megalópole). A orientação era para, nesse caso, pedir à pessoa para deixar a impressão digital. Não consegui… Falei: Obrigada, pode votar agora… 5-Puxa, eu consegui ler um livro… sozinha! EU SEI LER!

  10. Sandra

    Gerald, eu sei que você gosta de chocar, mas dessa vez foi uma overdose. Vou, de minha livre iniciativa, escolher a estátua do Borba Gato para representá-lo, embora meu marido ache que, fisicamente, você seria melhor representado pela do Cristo Redentor. Não tem outra foto ou música maravilhosa? Paz?!…

  11. Sandra

    Carlos, os amigos da minha filha devem pensar o mesmo de mim. Mas uma coisa é amar ler, e dar livros porque os ama, outra é querer doutrinar. Eu procuro livros que acho que vão encantar a pessoa. Já ganhei um CD do meu marido com a dedicatória “Para você ouvir sozinha”. Se alguém gosta de ler a Carta Capital, dou um exemplar de presente, desde que a pessoa não me convide para o sarau litero-musical onde a revista será lida e debatida (bem, se a música for MUITO boa…)

  12. fabio] [são paulo

    Eu nunca vi TANTO puxa SACO..!!!Um puta texto idota desse e NEGUINHO fazendo “TÉSE” em cima. TOMARA que os TESTEMUNHAS de “geova” TÓQUEM A CAMPAINHA DE VOCÊ O DIA INTEIRO,HOJE! VOCÊS MERECEM!

  13. Contrera

    taí, concordo com o ultimo post do vampiro. só tem uma coisa: há reputações e unsPUTAcuzões. (ih) vcs entenderam o que quis dizer; não dá para chamar realmente de reputação algo que se cria com base na possiblidade de se destruir quase quem se quer só porque se dispõe de uma bomba atômica (veja) para fazê-lo. isso não quer dizer que um mainardi seja necessariamente um babaca, sempre. é só que a ocasião acaba fazendo o ditador.

  14. O Vampiro de Curitiba

    Carlos, me desculpe ser insistente, mas é que eu estava morrendo de saudades de você: Se o Reinaldo e o Diogo (sim, pode citar os nomes deles, não precisa tanto medo reverencial) trabalham na Veja você queria que eles falassem sobre o quê? Sobre a Carta Capital? Me diz uma coisa, Carlos: Quando a Veja batia no Collor, no Itamar, no FHC, você não a qustionava, não é? Se o próximo presidente for quem quer que seja, a Veja vai bater da mesma forma. Ao contrário dessas outras revistinhas que sempre apóiam quem quer que esteja no Governo em troca de anúncios públicos. Vejam esses blogueiros que se dizem contra a Veja e defendem o PT. Eles defenderam o FHC, defenderam o Itamar, etc… São vendidos e irão se vender sempre.

  15. O Vampiro de Curitiba

    Contrera, como assim? “As pessoas não querem saber”? Ué, não foi você quem acabou de falar que devemos incentivar à leitura? Quer algo mais útil que Cioran? Principalmente nestes tempos de fanatismo onde se queimam livros e revistas de quem não faz o jogo do Governo? Cioran não é como limão sem açucar ou sei lá o quê. Cioran é dose dupla de Absinto. Faz a cabeça, se é que me entende…

  16. O Vampiro de Curitiba

    Contrera, não acho que devamos sair por aí entregando livros pros outros, não. Eu fiz isso neste natal, entreguei “Lula, minha Anta”,do Diogo, para meus amigos e vizinhos petistas, mas foi só de sacanagem mesmo. O que podemos fazer é nós mesmo lermos, de preferência algo de qualidade. Quanto ao “polêmico ser a azeitona do pastel”, eu concordo contigo. O problema é que muitas pessoas que eram os polêmicos antigamente, hoje representam o senso comum. É, o tempo não pára!

  17. O Vampiro de Curitiba

    Carlos, destruir reputações também é uma forma de queimar os inimigos na fogueira. Quem disse que se pode queimar todos os livros? São pessoas como você que queimaram, recentemente, exemplares da Veja em frente ao edifício da Abril e exemplares do livro do Diogo Mainardi em frente ao seu apartamento. Leia o comentário do William, que na minha opinião foi o melhor comentário neste post, e venha debater com argumentos.

  18. O Vampiro de Curitiba

    Carlos, me desculpe a curiosidade, mas não era você um dos fanáticos que eu ví na televisão queimando exemplares da Veja em frente ao edifício do Mainardi?

  19. Contrera

    Mau: estava no centro procurando um documentário alemão sobre o Lemmy. mas acho que terei de viajar. quem conhecer, por favor, me diga. pago bem.

  20. Contrera

    Vampiro: citar cioran é como pedir suco de limão sem açúcar e sem água. as pessoas não querem saber. faz bem, mas também faz mal. ahah
    contrera

  21. Contrera

    Sandra: desculpe, mas não é o que vejo por aí. muitos preferem manter-se reservadamente apaixonados por livros. claro, cada um cada um, mas sendo assim melhor nem reclamar, cerrrrto? afinal, entre civilização e barbárie o que temos a todo momento é guerra. Mau: quem é mais tonto? aquele que escolhe sem saber ou aquele que não consegue esconder a paixão de haver escolhido com acerto? pequena confissão: ontem, um dos caras com que eu falava, ao ouvir uma historinha da biografia, vacilou e disse: “meu, até arrepiei”. ahahah metaleiro, arrepiando? ahahah foi bonito. cara gente boa. carinhos contrera

  22. Carlos] [US

    Pô Sandra, não precisa levar tudo no sentido “literal”…ou devo dizer “literário”? Mas já que estou por aqui, devo dizer que eu nunca ajudei ninguém a se envolver com literatura. O máximo que fiz foi trocar figurinhas pra ajudar o fulano a completar o álbum do campeonato brasileiro de 1978 ou do Mundo Animal. Mas posso dizer que várias pessoas foram muito legais comigo e quiseram me enriquecer com o hábito da leitura. Várias vezes boas almas foram bater à minha porta oferencendo-me toda uma vida nova regada na leitura do único livro que deve resistir às queimadas (vide outra mensagem). Por alguma razão, no final da conversa diziam que eu iria para um lugar bem quente e sulfuroso. Tem um filme do Lars von Trier em que o sujeito tem que dar um presente pra um cara que ele detesta. Ele não pensa duas vezes: dá um livro! hahaha…The Picture of Dorian Gray sem as 20 últimas páginas…hahaha…

  23. Sandra

    Gerald, você está cruel hoje.

  24. Sandra

    Carlos, qual blog prega a queima de livros?

  25. Mau

    Contrera, vc nesse frio no Centro de SP ensinando aos metaleiros…Imagino o jaquetão de couro e a paciencia divina…ahahaha…eu sei o que é isso – nos meus 16 anos eu falava pros caras da minha banda – parem de beber e vão ler um livro – me escutavam ????(era tonto mesmo)

  26. Carlos] [US

    Oh…dois dias fora do mundo cibernético e parece que séculos e séculos já foram discutidos. Pois bem, recentemente andei visitando alguns blogs situados em revistas bem populares. Baseado nesses blogs, chego a uma conclusão bem simples no que se refere aos “incêndios” em bibliotecas: TODAS as bibliotecas do mundo e TODOS os livros podem ser queimados, DESDE que não queimem a BÍBLIA e os exemplares da revista VEJA.

  27. Tales

    Alguém poderia me situar, por favor? Desculpem a ignorância, mas houve algum caso recente de incêndio deliberado de biblioteca?
    O assunto é mesmo controverso. De qualquer modo, por mais justificado que seja e mais altaneiro o motivo, incendiar uma biblioteca é um ato abominável.

  28. Sandra

    Contrera, pode observar: TODO amante de literatura dá e recomenda livros.

  29. Sandra

    Amei, Vampiro.

  30. Ana

    Prezado Felipe: se o estado não sabe “conduzir a importância” de uma biblioteca, como pode conduzir a educação? Não sabendo conduzir a educação, como poderá conduzir indivíduos formados (pela educação)? Não sabendo conduzir a inteligência de um país, como conduzirá suas metas? Não sabendo nada disso, como se relacionará com os desastres, com as perdas? Me parece ainda tudo muito experimental nessa humanidade “inteligente”. Mas olhando para o passado histórico, vemos: tudo o que saiu do experimental, chegando, muitas vezes a burra certeza dos dogmas e paradigmas, também não deu certo. Eu não acredito mais no estado. E também não acredito que exista outra forma para cuidar da colméia, que somos nós. E a maior parte do mel produzido é de péssima qualidade. Mas em tempo: isso não pode fazer ninguém abaixar a cabeça. “A luta de um homem é a luta de um povo. A luta do povo nunca é a luta de um homem.” Abraço,

  31. O Vampiro de Curitiba

    Pessoal, como não achei nada estimulante que sirva à “Frase da Semana”, tomo a liberdade de transcrever um texto do filósofo romeno E. M. Cioran, no seu livro “Breviário de Decomposição”, é o primeiro parágrafo de “Genealogia do Fanatismo” (homenagem a Frei Beto): ” Em sí mesma, toda idéia é neutra ou deveria sê-lo; mas o homem a anima, projeta nela suas chamas e suas demências; impura, transformada em crença, insere-se no tempo, toma a forma de acontecimento: a passagem da lógica à epilepsia está consumada… Assim nascem as ideologias, as doutrinas e as farsas sangrentas.”

  32. Sandra

    “Seriam eles “analfabetos” ou cidadãos “que não sabem ler” e protestam, então, contra os poderosos “iletrados” que se encontram do lado oposto?”
    Não respeita sua própria arte, Felipe? Não respeito você!

  33. Contrera

    ok, mas me digam: o que cada um de nós fez em prol do hábito de leitura para um desconhecido qualquer nos últimos meses? indicou livro? presenteou livro? ofereceu livro? deu livro? ou simplesmente nada? sempre teremos violências do tipo de destruição de bibliotecas – e há coisas piores, sim – enquanto nós não formos, dia a dia, defensores irrestritos desses valores e especialmente com os que menos parecem dispostos a segui-los. não quero me entronizar como exemplo (blaaaaaaaaaa), mas agora há pouco eu insistia, numa roda de metaleiros, no centro de sampa, da grande riqueza que é a biografia do lemmy. e os caras, embasbacados. claro, tudo tem sua proporção, mas eu estava na ocasião defendendo o valor do… livro? “vc não leu? que pena!!!!” ahahaha carinhos contrera

  34. simone] [rio

    Adorei o texto..PARABENS FELIPE

  35. O Vampiro de Curitiba

    William, muito bem! Chega de hipocrisia da periferia. Tudo o que é popular é feio, pobre, vulgar. Em vez de incentivarem literatura nos morros, ficam com aula de capoeira, hip-hop, axé…Depois querem esperar o que desse povo? O Sarkozi venceu as eleições na França por ter descido o cacete naqueles baderneiros vagabundos. Agora quer conversar com os terroristas das Farc’s sobre a libertação de uma refén. Se enfraqueceu e perdeu a confiança do povo francês. Não vou comentar sobre o post acima, do tal frei, pois não sou conivente com quem apoia os campos de concentração na selva colombiana nem o “paredón” em Cuba. Democracia econômica? O Frei nunca trabalhou na vida e vive numa mamata, sempre com o dinheiro dos fiéis. Agora, foi chutado do PT e vem fazer criticazinhas? Vai trabalhar, frei Beto!

  36. Regina L. Aurich] [Colatina-E.S.

    As bibliotecas do meu País são incendiadas pela nossa própria cultura da valorização do supérfluo e das coisas lineares. MOFO,FUNCIONÁRIOS MAL PREPARADOS E POUCA GENTE ALFABETIZADA DE VERDADE : eis o incêndio que destrói mais que o outro.

  37. William C. Cruz] [São Paulo

    Em nome de um certo igualitarismo democrático, decretaram o fim das hierarquias. Já não se sabe mais a diferença entre Camões e Mano Brown; ambos são apresentados como se fossem poetas do mesmo porte. E mais, quando por aí a intelligentsia pretende “valorizar” a cultura da periferia, terminam por privar as pessoas de lá oriundas da verdadeira cultura humanística. Essa “igualdade” é macabra. Pobre periferia… Com os defensores que têm, está condenada à irrelevância, à segregação, ao gueto. Enquanto isso, os ongueiros profissionais viajam pra Europa com dinheiro público…
    Esse texto me fez lembrar de dois outros: um é o texto do Carpeaux (A idéia de universidade e as idéias das classes médias); o outro é a entrevista de Bruno Tolentino concedida à VEJA. Em algum lugar do blog do Reinaldo a entrevista está reproduzida…
    E a situação é triste, muito triste!!!

  38. Sandra

    Assim com tenho certeza que ALGUNS leitores de Shakespeare ou Goethe conceberam e administraram Auschwitz, TENHO CERTEZA ABSOLUTA DE QUE QUALQUER UM QUE INCENDEIA UMA BIBLIOTECA MATARIA UM SER HUMANO. SEM REMORSO!!!!!! SEM PENSAR!!!!!!!
    (Preciso de um café…)

  39. Sandra

    Me dê emprego, me dê uma casa, me dê um carro, me dê um apartamento na praia, me dê férias nas montanhas, me dê a garotinha gostosa para eu comer… NÃO BIBLIOTECA!!!

  40. fabio] [são paulo

    afff….maria! Juro que tentei ler tudo. Cheguei até o meio, daí pulei pro último parágrafo.Bem que o cara podia assinar: ” Feliz Infortúnio”.

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