Eu SOMOS Tantos

New York – Interpretar e representar na arte do palco são duas coisas inteiramente diferentes. Entenda a primeira como sendo a sua própria voz já adulta de ver o mundo e, através dela, você empresta o seu talento e se empresta para dar o seu depoimento, seja ele qual for. Digo, seja o "personagem" que for, em que peça for, seja qual for o conceito em questão. Não importa: quem esta lá é o ator e sua maneira de ver as coisas numa camada fina, ambígua e forte de ser e estar em cena sem estar 'moldado' pela mentirinha do teatrinho que quer fazer crer.

Já o ato de "representar" (haja saco, ensino isso há anos!), serve mais ou menos como "ser o embaixador" de uma técnica ou uma filosofia. "Sou um ator biomecânico" de Meyerhold, ou Brechtiano, ou Beckettiano, ou seja la de quem for, Artaud, Jean Jacques Lebel, Laban ou Grotowski, mesmo que fazendo uma peça de, digamos, Shakespeare…..cairemos nessa falsa e boba fórmula do fracasso, mas que o público compra, pois todo mundo ama uma bela enganação! Estão aí as novelas que não me deixam mentir.

Não é à toa que o teatro não está na lista das primeiras necessidades. Tem se entendido cada vez menos o que é esse tal de "acting" nesse mundo onde predomina o "método" que Lee Strasberg transcreveu para America, com o qual fundou o Actor's Studio na época do Group Theater. Funciona bem. Sim, pra alguns, funciona. Mas com microfone e câmera pertinho. Se tiver que projetar a voz, portar o corpo, ah, e usar diafragma, acabou. Pifou! O "method acting" foi bom pro Brando, Rod Steiger e De Niro, Pacino e milhares que ate hoje filmam em alta definição, Panavision, Televisão.

Mas não pro palco, onde a coisa é no gogó! É nisso que o Autran, Fernandona, Guilgud, Jackie McGowran e a Redgrave são indisputavelmente os e as melhores. Ah, e tem a Judy Dench, a Hellen Mirren e o Nanini. Teatro não é rock and roll, but I like it. Levei muita porrada na adolescência em Londres por não gostar dos Beatles e amar os Stones: Mick Jagger interpreta Mick Jagger! Não cria tipo. Ele é ele mesmo e não deita na cama por um ano fazendo campanha pela paz. Não raspa a cabeça ou segue guru na India. Não veste roupagem nova pra cada disco que saia.

Os Beatles? Representavam uma imagem e, justamente por isso, se perderam, des-bandaram.

Foi com enorme prazer que fui surpreendido, na quinta à noite – convidado pelo TheaterLab a ir ver, num simpaticissimo loft na rua 14, o trabalho do veterano Carlo Altomare. Ele, o Carlo, era ex-colaborador do Julian Beck, do Living Theater, aquele que eu dirigi em seu último trabalho em vida. Mais que isso. É formado em biomecânica, trabalhou com o Erwin Piscator (colaborador de Brecht) e fundou o Alchemical Theater Company na década de 80, aqui nessa metropolis. Foi um encontro maravilhoso.

Não sou companhia agradável em teatro. Os poucos que estavam lá estavam tensos com a minha presença. Confesso que nos primeiros minutos pensei em pular da janela, se houvesse alguma. Mas, de repente, como sempre acontece, a coisa muda. Nada é como parece (ou assim é se lhe parece!). Uma vírgula, uma frase, um movimento e….a interpretação (vivida e não representada) me trouxe pra junto do (não) "plot" do que estaria acontecendo no palco, se estivesse acontecendo algo nesse "work in progress".

As magnificas atrizes do ensemble deliram em algo que só posso chamar uma mistura de Alexander Moissi (do Burgtheater de Viena, que acabou "inventando" um teatro cantado e, dessa forma seu Fausto de Goethe ficou na História. Moissi também se envolveu com Stephan Zweig, que morreu no Brasil), tudo isso misturado com Jim Carey. Sim, o Carey, o mascarento. Frases cortadas ao meio caricaturando a "nossa carência pós-moderna" sempre mais e mais do que queremos nessa sociedade insaciável.

Ah, sim, o nome do espetáculo do Carlo: "Appearance- a Suspence in Being", num loft, numa galeria branca perto de onde Duchamp morava. Muito o que pensar depois de tanto Grotowski e de tanta farsa e sitcom misturado com nossos desejos sempre "não pronunciados". Toda a questão do espetáculo gira em torno da frase que não se fala, mas quase. Bravo, Carlo!

Corta: 1972 lanca-se o filme Sleuth, com Laurence Olivier e Michael Caine (também mais conhecido como my cocaine). Original de Anthony Shatter, ele foi refilmado numa readaptacao de Harold Pinter e dirigido por Keneth Branagh, o brega. Fracasso, óbvio . O original é um masterpiece porque é um tipico mindfuck assim nos moldes de Heráclito, sim ele mesmo, "Se você não esperar o inesperado, não o descobrira de tão improvável e quão evasivo ele é" (algo assim). Sleuth é um duelo entre dois que viram três.

Eu sou um que viram dois ou quatro como nas melhores cidades: New York tem Uptown e Downtown, tem East Side e West Side, Paris é cortado e vira Gauche e Droite e moedas tem dois lados, todos os jogos tem dois lados, temos dois olhos, duas pernas, duas mãos e duas nádegas. O teatro e seu duplo (de Artaud) tem mais que dois. Mas quem está do lado de cá, vê o que a platéia está vendo, mas também enxerga os pregos e as alcaparras (inventei agora) que seguram o sarrafo que segura a incerteza do cenário. E ainda tem que olhar pro colega lixando as unhas na coxia.

No entanto, cobramos da vida uma certeza. Uma certeza do "sim e do não" como se isso existisse". Como? Vou repetir a pergunta? Como? E por isso, nos filiamos a partidos politicos que, aparentemente, nos dão respostas prontas. Absurdo? Maniqueismo??? Sim, total.

Como Hamlet, estou cada vez mais impregnado de perguntas e posso , de fato, acabar enfiado na espada envenenada de Laertes. Sim, pode ser. Mas o ponto de questionamento é fundamental. Meu deus como é fundamental meu tio Claudius! Não, tio não, Claudius matou seu irmao e pegou o poder. Trata-se de um politico típico. Não, não te quero como tio.

Nessa companhia do Carlo Altomare, que amei, senti um certo guruismo. Assim como sinto com certos que andam por ai porque jogam com as cartas politicas xenofobicas e ganham rios de grana porque jogam as cartas certas. Em Sleuth, o negócio é quebrar a cabeça para se desvendar o mistério. Desvenda-se? Nunca.

O labirinto de Edgar Poe/Borges/Max Benze/Escher e suas escadas kitch que espelham a si próprias e começam em si mesmas nunca dão em nada , a não ser no lugar onde comecaram. Parece uma boa metáfora para a raça humana. A nossa referência é sempre o "eu", sempre como "eu" posso ser melhor que "eu mesmo". Melhor ainda: "melhor que o outro", mas a troco de quê?

No meu sleuth particular, se não partirmos para a próxima e tivermos a generosidade de pararmos com os ranços disso daquilo e daquilo outro não teremos aprendido nada com ninguém, muito menos com a História, estaremos fadados a um time loop que nem o delegado Horacio de CSI Miami, o David Caruso (outro Caine, Horatio Caine), no auge da sua canastrice maravilhosa com ternos pretos nas praias de South Beach, consegue resolver com sua pistola.

Ou mesmo o Jack Malone do "Without a Trace", um deprimido, solitario (Malone: anagrama de "I'm alone", assim como "Malone Dies", de Beckett), nos conduzirão ao fundo do buraco achando que a solução mesmo é o "racial profiling", a matança com grandes explosões e nenhuma expressão (interpretação: ali eles nao representam: políticos representam), interpretam o vazio dos nossos tempos, o não dito, o des-dito, coisa que é tão simplemente feita e tão simplesmente, belamente, abordada na performance de Carlo Altomare.

Quanto a William Saphire, Ben Stein ou Henry Kissinger, escrevo na próxima. Mas que está tudo ligado, fiquem atentos. "Nem tudo é o que parece" – um quase Pirandello. Ou Abraham Lincoln: " O melhor do futuro é que ele chega um dia de cada vez". Boa frase de Lincoln . Frases são sempre boas. Nós tentamos nos provar através delas. A arte, não. Quando ela bate fundo , ela bate e cala. E nesse silêncio, vem o som do universo. E nesse som, somos um, dois , três, quatro…não temos mais que ter o compromisso partidário. Sinceramente?

A arte ainda faz sentido, sim. E como! E nessas horas deveríamos refletir sobre a baboseira, a enorme baboseira diária. O vazio diario. Como é doloroso esse vazio diario. Talvez por isso nós o preenchemos com baboseiras políticas.
Gerald Thomas
diretodaredacao.com

do Tales
Que os Beatles estivessem representando ao participarem dos Movimentos pacifistas e correlatos eu discordo. Acho que eles expressavam desejos autênticos, embora utilizassem de um meio privilegiado pra autopromoção e o massageamento "egal".
Tales

comentario do Carlos (US)
Tales: Adorno defendia uma arte pura, autônoma, que transcenderia o que ele considerava limitações ou vícios culturais. Só que aí começam os problemas e os tropeços que poderíamos discutir na sequência. Hoje é nostálgico pensar em Adorno defendendo a experimentação, que ele considerava a única forma de validar a arte, justamente pra garantir essa "não significação" da linguagem. Muitos artistas, na minha opinião, cumpriram esse papel corajoso. Por exemplo, Adorno era o maior defensor de Schoenberg. Só que a música continuou explorando outros caminhos depois disso, o que segue essa linha experimental e necessária, segundo Adorno. Só que sejamos realistas: tudo o que se busca na arte HOJE é o conforto. Saia da zona de conforto e sentirá na pele o apedrejamento, o fogo que chega pra queimar como sua heresia. Não acredito em absolutamente mais qualquer "frase" sobre arte. Foram todas pulverizadas por nós mesmos. O PERIGO acabou ou, na melhor das hipóteses, é controlado, dosado.
Carlos

29 Comments

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29 responses to “Eu SOMOS Tantos

  1. MARCOS AMERICANO] [Rio,RJ,Brasil

    Gerald,keep it strong !!Obrigado por ter respondido meu desesperado pedido de ajuda(A arte ainda faz sentido sim, e como !!)A performance-solo-Manifesto
    “DIA DOS LOUCOS” funde Gogol,Rubens Corrêa,Gerald Thomas,Denise Stoklos,Antunes,JLBOrges,Kafka,Millôr,Schopenhauer,Nietzsche,Espinosa,Noam Chomsky e Jared Diamond,entre muitos outros…milhares de jovens e adultos já viram,é uma exortação aos inconformados desta vidinha medíocre q se nos apresenta e a mídia tenta adocicar…Adorno na cabeça !!Estou intuindo q o Serginho Groisman pode se interessar e daí “todo artista tem de ir aonde o povo está”,levarei a 2ª de Mahler para os auditórios de 15 a 24 anos…fica bem , Gerald,vc é um gênio,porisso sofre paroxisticamente,sua hiperestesia te compele a fazer coisas perigosas…mas sempre com estilo e conhecimento de causa.Tb gosto mais dos Stones…saudades do Rubens

  2. Sandra

    Gerald, esse post me fez ter delírios. Literalmente. Sou de exatas, muito lógica, até um pouco cartesiana. Acho que o lado direito do cérebro estava um pouco adormecido.

  3. Nayara

    Finalmente alguem tem a mesma opiniao que a minha em relacao aos Beatles. Grande beijo, Mr. Thomas.

  4. Nayara

    Finalmente alguem tem a mesma opiniao que a minha em relacao aos Beatles. Grande beijo, Mr. Thomas.

  5. punk

    who really cares about fucking art?

  6. Marilena Stein

    Sr. Thomas, acredito que o que sabes sobre o método é superficial. São centenas de atores famosos mundialmente (nao somente no teatro underground) que se utilizam dele tanto no teatro quanto no cinema. A investigacao é exatamente a mesma, muda-se a forma de expressao.

  7. Ana

    Em tempo: a frase de Lincoln lembra o discurso de OBama, ou o resume. Bravo! Às vezes a vida real é mais tesuda do que qualquer arte. O problema é que parece sem importância para a maioria de nós.

  8. Ana

    Gerald, seu texto é perfeito. Façamos agora uma analogia com a música, entre representar e interpretar. Quem sabe assim entra na cabeça de alguns atores que uma coisa não tem nada a ver com a outra. O problema da arte, talvez, seja a multi-escala progressiva de “artistas” que desbundaram o conceito de interpretação em favor da representação. Ninguém sai ganhando. Nem a dona de casa que fica em frente a TV, nem os representantes que dão a cara à tapa. Talvez só as contas bancárias de que subsidia toda essa porcaria que chamam hoje em dia de arte. E que, como dá ibope, todo mundo acredita ser verdade.

  9. Carlos ] [US

    Pois é Tales, Adorno radicalizou, mas é um fato que o momento histórico pedia isso, então dá pra contextualizar a visão dele. Arte tem dessa coisa: a parte filosófica só vai até a ponta do trampolim. Depois vem o salto e na frente não é uma piscina não, é um oceano. E do salto pra frente a filosofia fica pra trás, incapaz de se molhar. No meio desse utilitarismo que você falou (e falou tudo com essa palavra), muitos vão morrendo afogados. Acho que tem sim muita gente que combate isso, mas olhe ao redor. Tudo ficou totalmente condicionado. Pergunto se a história de fato mudou: antes neguinho lutava pra conseguir umas cabras, hoje luta pra comprar seu carro. Pois é, no quesito utilitarismo nada mudou (ou só mudou a tenda do circo). No sentido mais “profundo”, nada mudou: somos ainda vassalos num sistema feudal. Nem sei onde a arte entra nisso…não entra.

  10. Carlos ] [US

    VERA: e como precisamos do silêncio, muito. De fato discutíamos sobre isso há pouco tempo aqui no blog. Só que tinha ficado abstrato demais. O monolito não é exatamente abstrato, acho. Mas pensando nele, veja que o olhamos (pelo menos no meu caso) de baixo pra cima. Não é exatamente o silêncio da contemplação, mas sim do medo, do medo do que aquilo representa. Nascemos já dessa forma: temos que olhar pra cima. Daí desenvolvemos a reação a isso: o ego, que é pra contrabalancear. Os dois opostos me parecem errados. Qual a alternativa? Não sei, e não creio que estamos aprendendo uma. Estamos (alguns) é usufruindo de um sistema materialista que favorece justamente esses dois pólos: a obediência e o ego. Fugir disso chega a beirar o suicídio. Uma amiga minha, artista, abandonou tudo. Foi ser monge, literalmente. A arte dela acabou, cessou. Talvez existam alternativas: a simplicidade, não no sentido simplista, mas de humildade. Mas no aspecto do coletivo sou menos otimista, muito menos.

  11. fabio] [são paulo

    Mau…! Uma vez um amigo meu recebeu um TELFONEMA!!!!.. De uma senhora dizendo…” você é o Mauricio???..Sabe Mauricio desculpe, mas você não me conhece..é que eu achei seu projeto de CINEMA..!!!! aqui no LIIIIIXO DO MEU PRÉDIO!!!! NÃO SÓ O SEU…..TEM UM MONTE..!!! E É TUDO TÃO BONITO E BEM FEITO QUE EU ACHEI UM CRIIIME ALGUÉM JOGA TUDO ISSO NO LIXO!!!!, E RESOLVI LIGAR PRA AVISAR, OK!!!”…….. então MAU, se você é LÔôÕôÔCO DE LER “EDITAL” NA INTERNÉT……MEU….!!!!!!que tal você IMPRIMIR????? ÔÔÔ, RHAIOS!!!!!!!!

  12. Mau

    Fabio, sei que doi a vista – mas tem tantas coisas que faz a vista doer – a gente aguenta. Por exemplo ler um edital da Ancine em PDF no computador doi 1000 vezes mais a vista. Por isso, leia, mesmo que seja em pedaços. Não precisa pressa.

  13. Tales

    “Só que sejamos realistas: tudo o que se busca na arte HOJE é o conforto. Saia da zona de conforto e sentirá na pele o apedrejamento, o fogo que chega pra queimar como sua heresia. Não acredito em absolutamente mais qualquer “frase” sobre arte. Foram todas pulverizadas por nós mesmos. O PERIGO acabou ou, na melhor das hipóteses, é controlado, dosado.”
    Mas, Carlos, não é justamente isso que devemos combater? A total funcionalização da arte, o que a burguesia nunca perdoou? Num mundo em que tudo passa pelo crivo do utilitarismo, a arte deve permanecer sem função como sendo sua atitude mais radical.
    Confesso que Adorno tinha suas limitações. Acho injustificáveis suas aversões ao Cinema, por ex. – nesse caso, sou mais benjaminiano. São muitas as questões e dúvidas que tenho, Carlos. E o debate é inesgotável.

  14. fabio] [são paulo

    Sabe, Mau!!??? Eu não quis colocar a “arte”, como entretenimento ou diversão, não! Eu apena coloquei que este MEIO DE COMUNICAÇÃO, que é a INTERNET, é muito CANSATIVO para ser LER, UMA ABSTRAÇÃO, OU UMA EXPLICAÇÃO TÃO LONGA, entende..! Pois a VISTA (olhos), acaba cansando e você desiste de IR ATÉ O FIM. Não consegui LER TODO TEXTO DO GÉRALDO, por este motivo. E NAÃÃÃÕ por achar que a A ARTE devem ser feitas PRA LAZER.Se o Géraldo TENTAR usar uma LINGUAGEM mais “simples”, (já que ele é PROFESSOR) talvez ele conseguisse um texto menor, sei lá…ou fazê-lo em partes..ou capítulos.(não precisa usar desenho, não tá). É nesse sentido que estou tentando fazer uma crítica,ok?

  15. Mau

    A arte deixou de ser reflexiva pra ser entretenimento. Veja só o comentário do rapaz reclamando sobre a erudição, até um tanto irônico, percebi, colocando “blogs” em geral como um instrumento de relaxamento. Ler, ver uma peça, ir a uma exposição, soa tudo entretenimento na atualidade. kafka já não achava isso, por isso seus textos eram carregados de um conformismo realista mesmo se tratando de ficção – Gregor era um inseto e acabou – nao havia absurdo nisso. Será que o pessimismo de Kafka era cênico? E o meu pessimismo – será que sou mesmo um pessimista, afinal, se fosse ja teria me jogado da ponte. Não sei – quer dizer, devo saber, mas estou faz anos pisando em ovos. Ou se preferir andando em brasas.

  16. Vera] [POA

    Carlos, tu pensa que há uma necessidade de silêncio, tipo aquele, “da gente” na frente do monolito,lembra? Alimentando o enigma com tantas perguntas e dúvidas. Pensei nisso lendo o ultimo texto do Gerald e o teus comentários. É tão bom, quando as palavras param de gritar nos meus olhos e é possivel reconhecer a mão que tecla, quem é, na letra.

  17. Vera] [POA

    Uma das melhores leituras dos ultimos dias. Está em progress. Que beleza.

  18. Sandra

    Você se superou…

  19. Carlos ] [US

    Tales: Adorno defendia uma arte pura, autônoma, que transcenderia o que ele considerava limitações ou vícios culturais. Só que aí começam os problemas e os tropeços que poderíamos discutir na sequência. Hoje é nostálgico pensar em Adorno defendendo a experimentação, que ele considerava a única forma de validar a arte, justamente pra garantir essa “não significação” da linguagem. Muitos artistas, na minha opinião, cumpriram esse papel corajoso. Por exemplo, Adorno era o maior defensor de Schoenberg. Só que a música continuou explorando outros caminhos depois disso, o que segue essa linha experimental e necessária, segundo Adorno. Só que sejamos realistas: tudo o que se busca na arte HOJE é o conforto. Saia da zona de conforto e sentirá na pele o apedrejamento, o fogo que chega pra queimar como sua heresia. Não acredito em absolutamente mais qualquer “frase” sobre arte. Foram todas pulverizadas por nós mesmos. O PERIGO acabou ou, na melhor das hipóteses, é controlado, dosado.

  20. Tales

    Também sou um apaixonado por frases – e essa do Lincoln é realmente maravilhosa, o que eu tirei é que a vantagem do futuro pra nós é que ele não está previamente desenhado, resta uma brecha de esperança.
    Acho que os aforismos encerram uma sabedoria que parece querer tocar o divino. Daí, o fascínio – Adorno diria a “irresistibilidade” – que elas exercem nas pessoas.

  21. Tales

    Que os Beatles estivessem representando ao participarem dos Movimentos pacifistas e correlatos eu discordo. Acho que eles expressavam desejos autênticos, embora utilizassem de um meio privilegiado pra autopromoção e o massageamento “egal”.

  22. Tales

    “Boa frase de Lincoln . Frases são sempre boas. Nós tentamos nos provar através delas. A arte, não. Quando ela bate fundo , ela bate e cala. E nesse silêncio, vem o som do universo.” Esse trecho me remeteu à seguinte passagem da Teoria Estética.
    “A transcendência estética e o desencantamento encontram-se em uníssono no mutismo: na obra de Beckett. O fato de a linguagem afastada de toda a significação não ser uma linguagem que fala funda a sua afinidade com o mutismo. Talvez toda a expressão, muito aparentada com o transcendente, esteja perto do mutismo, da mesma maneira que, na grande música moderna, nada tem tanta expressão como o que se extingue, o som que emerge nu da forma compacta no qual a arte, em virtude do seu próprio movimento, desemboca no seu movimento natural.” P. 97 Teoria estética. ADORNO

  23. Tales

    Ê, Gerald, tá ficando cada vez mais metafísico! De volta à Schopenhauer? Eu lembro q saiu na Folha um dia que você recomendava este àqueles que estavam deprimidos.
    Bom, também achei o texto maravilhoso. Lindo. E sou forçado a concordar com vc de que estamos cada vez mais enfiados na lama superficial. O pior: não parecemos querer sair dela, nos aferramos à ela como os fiéis a seus ícones!!!

  24. Sandra

    QUE SENSACIONAL!!!!!!!!!!!!!!!!!
    VOCÊ ESTÁ MUITO INSPIRADO!!!!!!!!

  25. Pancho Cappeletti] [São Paulo

    ESSE FOI UM DOS MELHORES TEXTOS QUE VOCÊ JÁ ESCREVEU!!!
    PARABÉNS!!!
    I MEAN IT!!!
    Pancho Cappeletti
    São Paulo – SP

  26. Contrera

    bom, bem, bembom, bombom. não sei. de fato, acho que eu interpreto. a quem, don’t know. não no teatro, na rua? don’t know again. os tempos? ai, que dor de cabeça. só de ouvir o uribe e o correa digladiarem-se não sei se me atravessa uma indigestão ou uma vontade de vomitar. considera-se como se a guerrilha não se originasse dos países que eles, refiro-me à elite, sempre tão mal souberam dirigir. mas passa. acabo de te mandar uma mensagem, querido. por enquanto, páro aqui. desculpe, preciso me cuidar, jantar ao menos. sabia que a tati me disse que eu até emagreci? creda!
    bj
    contrera

  27. Lilian] [Ipatinga/MG

    Purificação das emoções… elocução grega… conciência da indentidade… hum… sei… linguagem mítica ? não gosto de “empresta o seu talento “… acho que eu não acredito mais em talentos… me parecem só personagens sociais específicos encarregados da preservação e transmissão do sentido mítico do mundo. “Indivíduos que tem acesso exclusivo aos tempos primordiais; mestres de sabedoria, cujo privilégio é adquirido tanto por herança ou “”””inspiração divina”””” como por longo treinamento, tem tecnicas de rememoração e de versificação”. Ciência pura.
    E política travez…

  28. fabio] [são paulo

    NÓSSA SENHORA!!!!!!…..Que que é isso.???!!Será que vocês não percebem que LER NA INTERNÉT, já é UM SACO, POIS A VISTA DÓÓÓI…..E VOCÊS ( géraldo e vampiro)ficam escrevendo tratados sobre a ARTE,..PRÁ QUE??!! E PRÁ QUEM??!!! SE TÓQUEM MEU, DÁ LICENSA..!!!Faça um texto menor, mais simples, mais GOSTOSO DE LER, e não uma SEÇÃO DE TERAPIA psicanilistica,pôxa.!!!! A gente entra pra RELAXA UM POUCO aqui no seu blóg e você vomita ERUDIÇÃO em cima da gente!!!… que que acontece..?? não chegamos nem até o meio DO TEXTO. desistimos…..como dizia fócrates….!!!! É SÓDA!

  29. O Vampiro de Curitiba

    Obrigado pelo texto, Gerald! Belíssimo! A arte sempre fará sentido. Ou melhor, só a arte justifica a vida. Não faria o menor sentido viver pelo cotidiano. A arte é a única fuga da “vida”, do miserável cotidiano. A arte ou alguma substância química. Depois de muita porrada, optei pela arte. Mas, paradoxalmente, a arte também nos integra ao mundo. Ela tem o dom de fazer com que nos conheçamos melhor. E isto nos causa muita dor. Nem sempre estamos preparados para nos conhecer… Mas, sim!, existe um “eu profundo”, e só o descobrimos através das sensações causadas pela arte. Só nos sentimos realmente vivos quando entramos em contato com o sublime que é a arte. O teatro não é muito a minha praia, mas descobrí que sempre temos algo em comum: Nesse caso, é a preferência por Rolling Stones, he, he… Nunca gostei de partidos políticos ou ideologias. Se o assunto é posto, dou a minha opinião, mais pela polêmica do que qualquer outra coisa. Não curto muito política mas adoro um debate. Beijos

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