Uma breve interrupção existencial

Dois criadores, dois enfoques e dois momentos : Sergei Eisenstein e Jackson Pollock
Córdoba, Argentina – Talvez eu não esteja aqui à toa: os argentinos sempre foram uma platéia incrível e nos deram Cortázar, Borges, Cazares, Piazolla, Victor Garcia (o grande gênio que montou o Balcão de Genet pra Ruth Escobar nos anos 60/70 e foi o que me fez optar por teatro….. Talvez eu esteja aqui pra me despedir.

Olho em volta e nao sei mais de onde eu sou e ao que pertenco: Se é o Rio de Janeiro que tanto amo (quando eu falo com uma menina de 6 anos, a mileny, neta da minha mãe, eu choro me comovo até nao sei ate onde…..Quando estou na minha casa em Manhattan é de lá que sou, é lá que minha vida de teatro começou, é lá que estou, de fato em casa, andando pelas ruas…
Mas e Londres, aquela da minha adolescência e de tempos recentes? Onde conheco cada beco de cada rua, seja de Herne Hill em SE 24 ou de Hampstead em NW3… ou em Berlim, Munique, ou em, sei lá, São Paulo.

Coloquei uma obra teatral e autoral nos palcos do mundo. Escreveram a meu respeito em jornais e em livros. Nada a reclamar. Mas, sinceramente, olho em volta e vejo uma leva de "nada" recebendo mundos e fundos pra reproduzirem o "nada" (obs: não autorarem, mas somente reproduzirem!) e esses alguém só conseguem essas fábulas de dinheiro porque estão politicamente entrosadas com as pessoas certas. Suas obras são fracassos fenomenais. Medíocres, elas chutam diletantemente pra todos os lados, mas nada. Nao farão parte de obra alguma em país algum. Enquanto isso, enchem seus bolsos.

Já deu. Judeu.
Uma crise de identidade na minha idade não faz sentido ou, se fizer, será a derradeira, prometo. Um leitor – inconformado – do diretaredacao.com mandou com que eu me calasse. Talvez ele tenha razão. "Cale-se Thomas".

Existe uma lei pra proteger a justiça, mas isso não faz muito sentido, se tanto a lei quanto a justiça sao corrompíveis.

Quero agradecer todos aqueles que me apoiaram até aqui, nesses 30 anos até aqui. E escrevo isso de coração. Se tem uma coisa que me emociona hoje em dia é esse blog aqui, com as pessoas trocando ideias,num forum totalmente DEMOCRÁTICO, onde nem muito metido o bedelho, ou os dedos… Sim, Peter Punk, os dedos, my Stcky Fingers, sticky from the brown sugar as you make me feel so good, ja que as pedras rolam. Mas longe de serem as pedras filosofais ou fundamentais

1- Fico pasmo com os desencontros

2- Fico pasmo com a roubalheira e com os conchavos nesse meu mundinho da arte.

3- Mas, ao mesmo tempo, é um SINAL DE ALERTA: não servimos pra NADA: somos o entretenimento da BURGUESIA, mesmo. E pronto. Leiam em "The Age of Turbulence", de Alan Greenspan, e vejam como o mundo de "verdade" funciona. Nos, do teatrinho, estamos somente divertindo a pequena e a alta burguesia, Que nojo!

Ainda não há um termo pro que eu quero fazer. Mas certamente será (se eu conseguir) tão inovador quanto ja foi quando EU me inventei. EU SOU UM AUTOR de todas essas misturadas nacionalidades aí ditas acima. EU sou um autor Brasileiro. Acredito que, contando a minha historia, estórias, conto a turbulência do meu tempo.

Não acredito em montar clássicos ou adaptar e importar textos de outro: o diretor de teatro, em principio, é um imbecil. Poderia estar em plena Avenida Paulista dirigindo o trânsito. O "pensador de teatro", ah, esse, desses temos poucos.

Fiz o que pude, não reclamo de nada. O reconhecimento foi e ainda é fantástico.

Agradeco especialmete ao SESC SP (Danilo Santos de Miranda) por tudo e por tudo mais nessas décadas de apoio impressionante. E ninguém poderá reescrever essa HISTÓRIA.

Agradeco a Samuel Beckett e Ruth Escobar, e Ellen Stewart, a minha Mama….e tantos outros que não caberiam nessa enorme lista.

Mas é que o mundo da "oportunidade" se instalou de tal forma que parece um corrimento vaginal sem cura! Das poucas coisas com as quais não sei lidar. E ainda tenho que ouvir através de terceiros "é, mas o Gerald Thomas não tem propriamente uma dramaturgia!"

Que merda de frase é essa, meu lider? E que ouvidos voce dá a essas merdas que dizem isso? Leia sobre o quanto a minha dramaturgia está sendo estudada. É só consultar o http://www.geralthomas.com. Eu autoro. Não adapto. Não monto textos de outros, portanto tenho uma ESTÉTICA sim , e fortíssima e uma dramaturgia que, temo em dizê-lo, foi motives de elogios até de (não nao vou dizê-lo), me seguro no meu conhecimento do passado e saio convicto de que os criadores viveram uma vida feroz, triste, infeliz e sempre em busca de algo mais em seus trabalhos e nao o glamour das estréias e das fotos pousadas pras colunas sociais.

Pra cada um desses merdinhas que diz que não tenho uma dramaturgia, meu lider, pergunte-os o que fazem e o que fizeram e pergunte aos maiores atores do mundo o prazer que tiveram em dividir o palco comigo (descontando o Fagundes em 1985) e porque mantenho parcerias tão longas e odeio dogmas.

Sim, estou fragilizado, estigmatizado, arranhado por um beco onde me meti ou fui metido, um estereótipo ao qual realmente não pertenco: sou muito mais que isso porque….porque. Porque me emociono profundamente com aqueles que QUEBRARAM seu espelho e/ou cujo espelho foi quebrado por eles à revelia. Me emociono com o Tom Zé, com o Tom Jobim, caio de chorar com o Hendrix ou com o Cartola e com uma noitada com o Ivo Meirelles (amigo de tantos anos), ou uma música do Chico, e outra de Caetano: é tanta coisa….

Estou engasgado e não sei se consigo ir até o fim: as letras de Vinicius e de João Cabral, e de Haroldo de Campos ou de Derrida sobre Haroldo de Campos….(e ainda afirmam que não sou brasileiro!) ou os filmes de Glauber e Cacá.

Fiz o que pude, coloquei assim como minha alma mandou, os mandamentos da minha alma no palco e nas colunas e nos jornais essas décadas todas. Mas isso nao é o suficiente. O mundo verdadeiro está na política e nos pactos dos politicos/econômicos e nós ficamos aqui entretendo a burguesia, achando que estamos revolucionando????? Não estamos revolucionando nem os estacionadores dos caros automóveis de nossas platéias.

Muitíssimo obrigado mais uma vez mas Hay Mediocridade, Soy Contra!

E, pra terminar, faço um copy and paste dum comentário do brilhante Carlos (nauseamail)

Contrera: em várias das suas mensagens você desculpa-se a si mesmo por estar discutindo o tema. Fique tranquilo, a Arte, seja qual for, seja como for, vai continuar vivendo e morrendo independentemente de qualquer coisa que escrevamos aqui ou em qualquer outro lugar. Mas usar do RIGOR para definir se um evento é Arte ou não parece-me produto da academia. Assim, como é produto da academia definir se Aleijadinho é barroco mineiro ou não. Aleijadinho era um artista supremo que criou obras que tem UMA CARA: a cara de Aleijadinho. Talvez não sejam rebuscadas suficientemente para adentrar no 'reino' barroco nos moldes europeus. E isso POUCO importa porque constituem uma obra única, ou seja, quiçá Aleijadinho não se enquadre no barroco. É o barroco que tem que se enquadrar em Aleijadinho ou então que se crie um novo nome. O RIGOR, nesse caso, existe para ser esfacelado ou pelo menos pervertido. E ponha perversão no que a Marta fez.
Carlos

e assino em baixo
Gerald Thomas
"Despair", de Edvard Munch
Linha de Montagem
De Ruy Filho : E fico diariamente pasmo que sua dramaturgia ainda não seja enxergada. perceba, nem digo mais entendida, disso desisti. Mas enquanto alguns insistem em te transformar em guardas de trânsito, abstraindo de sua arte os valores reais de sua criação, eu vou continuar insistindo aqui e alí. É curioso ver uma platéia, como foi na ufscar, ano passado, descobrir que na estética da tua cena cabe a descoberta da palavra que a conduz à realidade. Mas é triste saber que ainda entre os próprios artistas, tão pouco é compreendido.Fui te descobrindo no convívio. Fui te encontrando na rotina. Mas basta o primeiro encontro, o primeiro cruzar de olhares para certificar-se de seu valor. É, Gerald, enquanto muito se discute e filosofa sobre abstrações, pouco, na verdade, se enxerga do que está a palmo de distância. Sigo na luta por teu reconhecimento (ainda que isso pareça prá lá de estranho!). Mas sem isso, então nada mais me parece possível. Beijos e escute apenas o que vale à pena! RUY FILHO.
Ana Peluso :G., dá pra sentir o abismo que vc enfrenta daqui. Sei lá, mas acho que, e justamente por saber dessa politicagem que "finge sobre o fingir" sem o menor constrangimento, é que uma arte – AUTORAL – como a SUA, NÃO PODE DEIXAR DE EXISTIR. Além de autoral, vc é o encenador que mais trinca, estilhaça, e por isso dilacera, toda a realidade ao redor de sua criação. Ninguém sai da mesma forma que entrou numa peça sua, e podem dizer o que disserem; podem até, por talvez morrerem de medo do que sentem, fingirem que não entendem nada, criarem polêmicas em torno da sua nacionalidade, como se só quem vivesse no Brasil soubesse do real (é um trocadilho, sim). Mas eu, particularmente, acho que é isso que faz do seu teatro, o real espetáculo da desumanidade absoluta. Se existe quem finge que não vê a realidade, e prefere um texto adaptado para poder colocar todos os pontos nevrálgicos num patamar de ilusão, problema dessas pessoas. Vc disse algo muito bonito no seu PS do post abaixo. Vc disse que "as coisas se encontram e enxergam" depois da vida. E é bem isso. Se as pessoas ainda não entenderam que toda a "miscigenação" de situações que vc cria não deixa de ser proposital, é uma pena. Elas ainda vão ao teatro esperando algo menos radical. Algo mais distante de suas realidades (já) confusas. No fundo, a gente sabe que essa merda (a vida, o sentido, o próprio mundo) se esfacelou, e por isso se faz presente um teatro de reconstrução (um horror de termo, eu sei), de remembers, de remontagens.Ver você, seus atores, ouvir seu texto, sua voz, se manter fiel às batidas do coração diante da geometria humana, desumana, e humana, que vc apresenta é um ato de coragem. Não existiu uma vez em que eu voltei para minha casa depois de assistir à uma peça sua, sem estar totalmente de posse dos meus pensamentos. Sem me sentir totalmente VIVA com tudo o que isso implica de "agradável" e "desagradável". Perceber como vc une no palco quase todos os fragmentos mais importantes do século XX e início de XXI, em detalhes dignos de fazer brotar uma sensibilidade embotada diante do TANTO, é atestar que isso não é pra qualquer UM. Você é o ÚNICO que consegue isso. Você é esse UM. Não deixe isso ficar só na história antes da hora… Existirá o momento certo de parar, e acho que ARTE é tudo o que disseram, mas é basicamente RESISTÊNCIA.É através dela que dizemos NÃ-ÃO. Não queremos. Não vamos acreditar. Não acreditamos. Não nos enrolem. E alguém pode dizer "pra quê?", afinal nada muda. O papel da arte não é transformar o tecido social. Até pq. o tecido social não absorve/ apreende a arte. Ou a consome, e espalha na mesa de centro para provar o consumo, ou não é arte; é o tal entretenimento. O tecido social só vai sentir o PESO da arte verdadeira, quando ela traçar um paralelo histórico, então, meu caro, vc tem chão. E desistir agora significaria um olhar para aquelas torres gêmeas, sem um esboço de reação. Seria a morte em vida. O momento pede vida na morte. A morte está banalizada. Concebe-se a vida muito facilmente.Parar diante disso? Soltar o braço, quando se sabe que o salão inteiro pode nem estar prestando atenção, mas é você quem vence a queda de braço? Seria como assinar uma petição pela canastrice completa. Vc, sendo quem é, deve ir até o fim, deitar o braço do oponente, quebrar a mesa. Aí, o salão pára. Na marra, até, pela barulheira, mas pára. (mais uma vez: desculpe por usar tantos blocos, mas resumir algo ligado a você não dá certo; vc já cria síntese suficiente, pra gente funcionar bem como espelho em reflexo, e tudo isso é um tesão, é vida, é arte, é pensamento, é pul-sa-ção!)

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27 responses to “Uma breve interrupção existencial

  1. Rô] [Alemanha

    Estes seres existem ,e , estão espalhados por este mundo a fora… Seja na Sibéria, no bairro do Limao ou na minha amada “Camarath” em Deutschland.
    E chego então num ponto : Os gênios, estes que transformam pingo dàgua em ponto em letra
    ou trazem para o tablado a lua iluminada, com precisão matemática absoluta,perfeita.
    Nossos gênios muitas vezes se perdem, em críticas,
    em um que não gosta aqui,
    mas outro que o ama acolá…
    Para mim, analisar um gênio, é trabalho para outro gênio…
    Sacou???

    Senhores GÊnios, meus respeitos,
    não desanimem nunca,
    porque o mundo todo precisa de voces!
    Não deem bola pra torcida…
    Com certeza Freud e John Cage também não deram …
    quer ver ???´

    BEIJOS MIL Gerald

  2. Rô] [Alemanha

    voce é o Gerald, o super Gerald!
    O QUE FAZ A SEMÂNTICA, NA VIDA DA GENTE?
    A PLURARIDADE DOS ATOS?
    o que os outros pensam ou deixam de pensar ?
    Quanto aos filosofos, videntes, matemáticos, crocheteiras e pedreiros, und und, und ….
    Cada qual com sua função , seu contexto de ações dum tempo pragmático.
    Estas procuras são ilimitadas, infra-cionadas
    Ficar definindo atitudes, compassos e descompassos
    meu ou seu ou dele…
    Acaba na maioria das vezes em nada.
    Como talvez, o nada que estou transmitindo neste momento, para
    Um número incontável de pessoas, ou para nenhuma .Que Freud explica isto explica… O homem tinha QI de mil anos luz…
    e desculpem-me os Inteligentes, mas :QI alto faz uma diferença tremenda sim!
    Músicos maravilhosos, pessoas que tocam instrumentos sem nunca terem ido a uma escola. Os descobridores dos sete mares! Autores,diretores ,artistas que montam um espetáculo teatral apartir de um desenho pensado,repensado no mínimo dos detalhes

  3. Ro

    desculpe-me mas apertei uma tecla errada e o texto se foi…
    pois bem, continuando, deveria tirar uma liçenca maternidade,porque pelo que noto é um processo de gestação cada espetáculo… e gerar um filho é maravilhoso… e quem pariu precisa sempre uns dias de
    descanço! G,é muita enérgia dispendida,o tempo inteiro.. acho que voce esta precisando de um colinho dos amigos que te fazem bem, e pelo visto não sao poucos.G,ligue para quem realmente voce gosta, ouça a sua voz, porque é “muito bom ouvir vozes” não é?? esta coisa de internet, email, sei lá mais o que acaba reforçando mais o lado visual da gente… mas tambem precisamos do lado humano,assim teti-a-teti… beijussss Enormes, desta família que te ama de coração.entramos em contato com aquele email… genial amigo!! obrigada,,,

  4. Mau Fonseca] [SP

    Hoje eu vejo a inteligência e o senso crítico com grandes empecilhos para se alcançar a felicidade na sociedade atual.

  5. Valéria ] [RJ

    Gerald, não vou escrever muito mas quero postar 7 descoisas:
    -Em vez de CALE-SE, THOMAS, digo: FALE-SE, THOMAS! FALHE-SE, THOMAS!
    – Vc é autor,e mais,autor cênico e não simplesmente dramaturgo; vc é + q escritor de dramas, é bem +, é Thomas.
    – vc é transnacional, e pessoas não são fronteiras, isso também é invenção, ilusão q faz com q pessoas q vivam em vários exílios (além do sentimento comum de todos nós de nos sentirmos diferentes e isolados) fiquem pressionados pra extrair O MAPA social de pertença pra finalmente se auto-definir e dar paz aos medíocres! Vc não é puro em nada, talvez “polyester” VC É TUDO O Q TE AFETA, vive na ponte,no grito do Munch; vc tá entre-margens, não entre-mundos.
    Talvez entre-munchs
    – se despeça, se depedace, e depois se invente de novo, é o q temos de bom por aki: nossa invenção
    – eu odeio quando vc fala em despedida, mas fazer o q?
    – Esqueço. Esqueço. E ele esquece? Talvez é isso q nos salva…
    – Amo as ilustrações.As tuas, traz pra cá? Carinho

  6. Sérgio] [São Paulo, SP, Brasil

    Quando você era um jovem curioso nos corredores gelados do British Museum, quem te fazia companhia eram os imensos compêndios de um acervo histórico e cultural monumental, e tua alma e sensibilidade pareciam diminutas perto daquilo, mas inexplicavelmente existia um sentido de ambição, de vontade que culminaram num estilo transgressivo.
    Você escreve em português para um público leitor do mesmo idioma, mas é chegada a hora de começar a escrever em javanês.
    Os rótulos estabelecido da tua obra criaram uma armadilha que os amigos da poeira das ortodoxias insistem em enquadrar.
    Aos diabos tudo o que você já fez. Cinqüenta e três anos de idade só vão te tornar um velho se você não incinerar Quatro vezes Beckett, Quartett, Carmem com Filtro, Eletra com Creta, O navio-fantasma, a trilogia Kafka, M.O.R.T.E, B.E.S.T.A, Tristão e Isolda, Crash and flash days, Unglauber, Príncipes de Copacabana,Asfaltaram a Terra e tudo mais.
    Você vai a Córdoba reencenar,mas não esqueça o Geraldês, sempre novo.

  7. Contrera

    creio que ser artista é não desistir da sensibilidade e de suas implicações, custe o que custar.
    cansado,
    Contrera

  8. Gilda] [RJ RJ Brasil

    Dearest Gerald, sempre escrevo muito, mas depois de ler o que vc escreveu, do que está sentindo, não tenho cabeça para pensar, nem dedos para digitar,tampouco consigo ver o monitor do micro, pois meus olhos estão alagados, no momento sou apenas coracao e lagrimas; coracao triste e lagrimas doces. Sim doces, pois elas tomam o sabor de por quem estou chorando, e vc eh doucura, aconchego, calor humano. Não nos abandone, nao desista de vc.
    beijos com muito carinho admiração e ESPERANCA de que isto vai passar ASAP.
    Namastê
    Gilda

  9. Simônia

    Essa mediocridade que reina, onde devemos rotular obras de arte, pessoas, lugares,etc… destruindo qualquer impeto individual de expressão!!! Aff… “Admiravél mundo novo” aqui estamos…

  10. Claudia (Workshop Sampa)] [SP

    Assitindo a maravilhosa Oprah Winfrey, um dia destes….ela disse a seguinte frase…” A mediocridade SEMPRE ataca a excelência” ….Voce…é o tipo de pessoa que mostra , a que veio…e por isso incomoda….Por favor não desista..pelo contrário, persista, insista…a tua ARTE é oque move muitos, é oque faz nós atores,e grande parte do teu publico, apesar de tudo, de absolutamente tudo….continuar…tentando, pensando, reformulando, renovando…..
    Forte abraço
    Claudia

  11. Paulo Faria] [Guarulhos, SP.

    O A.Jabor me disse outro dia: “O Gerald é quem faz teatro de verdade”. O GT faz teatro de uma forma especial: “de verdade”… De verdade. Teatro de verdade. Gerald coloca o drama comum (o seu e o meu) num palco e me emociona, me faz remoer as idéias. Se não está dando pra suportar, eu fico triste. Podia te aconselhar a esquecer essa gente, mas como? Você não consegue parar de se incomodar com a MENTIRA. G, aconteceu! Vou assinar a promoção na terça-feira, iúpiiiii! LOVE

  12. Peter Punk] [Rio de janeiro

    Gerald to sem ar com isso tudo que você disse . emocionado.muito..e.. Nao sei bem o que vou escrevendo . Sei que tudo doi muito e faz sentido. essa sensaçao de que tudo eh muito e eh pra nada eh devastadora.nao quero ficar aqui comentando! nem falando sobre teu texto que eh lindo…da falta de autores ..da mediocridade que ataca quem aa denuncia… do pensamento nacionalista escroto que atrasa …vc arejou isso aqui como os tropicalistas , nelson, oswald e muitos.. sei la o que digo..estou .. foda..nao sei se vale algo mas alguns momentos na arte me formaram ..algo aconteceu.. epifanias…momentos em que estava sozinho e que me acompanham… aos 12 anos vi Mick jagger na tv e comprei um lp dos stones , aos 16 vi a obra do bispo do rosario e li kafka ,e aos 13ou 14 fui ao teatro ver 4 xs becket..anos depois vi que a peça era tua..isso tudo naquele momento com todas as coisas da vida de um moleque musicas me deram caminhos que tortuosamente sigo.acabou o espaço! Envio assim mesmo.. beij

  13. Ana

    Sei lá, mas vou me corrigir… Quando digo que as cifras (devem ser) são sempre presentes, doutra forma seria entretenimento, erro. Não é só ao entretenimento que faltam cifras, mas a tudo ao que ele representa, disfarça, oculta, se assenta sobre, e sucumbe. Mais ou menos por aí… Mais ou menos isso…

  14. Eva Moreira] [São Paulo

    Gerald,
    vc é ÚNICO, capaz de tudo, cheio de amor pelo mundo, brasileiro, americano, alemão, inglês…conhece o ser humano como ninguém e sua força é capaz de afetar milhares de pessoas. Sim, sua obra é impressionante e surpreendente, fora de qualquer padrão e no fundo todos sabem disso.
    Com muito amor,
    Eva Moreira

  15. Ana

    Exato, Ruy, GERAR VAZIOS, e provocando uma lucidez tão CHEIA (se é que podemos aplicar à lucidez mais algum atributo que não ela mesma), mas tão intensa, que funciona como um estanque. Depois de uma dose dessas, é comum percebermos esse “vazio cheio”, como um silêncio que grita, ou como um grito mudo. Esse paradoxo, essa coisa paradoxal mesmo, eu só senti assistindo às peças do Gerald. É como olhar uma imagem de Kantor, e sentir que o estômago mudou de lugar, dentro da gente. E, Carlos, a negação do autor é algo humano mesmo. Não sei se só atual, não sei se desde que o mundo é mundo. A verdade é que “autores não são bem vindos”, escrevam eles para os genêros que forem. O que eu sinto por aí, é que ficaria mais fácil atestar qualquer verdade ou inverdade sobre a obra, caso o autor não existisse. Afinal, ele pode discordar, acrescentando, diminuindo, interferindo, interagindo. E todo mundo se acostumou à obra parada, feita, pronta, consagrada, e ponto final, sem discussão. (ct.)

  16. Ana

    O que se disseca, digo, se discute, a respeito de obras, não chega nem aos pés do que o autor tencionava propor. O que a gente vê é uma tentativa de quem estuda um texto, de chegar à membrana criativa, quando, NÃO, não era aí que o autor apontava a vida. De seu texto. De sua época. Dele mesmo. O caminho é sempre outro, as cifras são sempre presentes, de outra forma não seria arte, mas entretenimento. O que eu acho que acontece de verdade com o ser humano é uma puta falta de humildade. De reconhecer no outro, o talento que ele, mesmo sem saber, tanto busca; a mudança que ele tanto apregoa como distante; a fala que ele não ousa dizer no dia-a-dia, mas que quando encontra alguém que diz, e que gera esses vazios, ele finge que não entende. Apenas pq. não é de sua autoria.

  17. ruy filho] [são paulo

    Ana, você me fez lembrar um artigo do Deleuze em que ele aborda a arte e defende que não cabe a ela a propriedade de comunicar. O palpel da arte está na sua capacidade em gerar vazios. Espaços de reencontro consigo mesmo e com o humano de todos nós. As fórmulas das montagens e remontagens, os trabalhos adaptados ao mercado e tudo mais se aplicam a compreensão da arte enquanto comunicadora de uma mensagem fechada e tida por correta por público, crítica, artistas e pela história. Gerald, querido, você vai além de comunicar mensagens ou se apropriar da história para compor um recado ideológico. Na verbo-plasticidade das tuas cenas, entrega ao espectador a violência do esvaziamento de nossas certezas sobre os fatos, utiliza as certezas da história como matéria de incertezas sobre o Homem. Esse aspecto só pode ocorrer no espectro da arte, na proposição de um olhar cuja estética reflete o olho de quem vê e na sensibilidade de quem sente como si mesmo a própria criação. Beijos…

  18. Carlos] [Brasil

    Essa negação ao autor é, na minha opinião, sintomático do tempo em que vivemos, onde a Arte foi substituída pelo entretenimento e onde o autor é visto como uma pálida sombra de um ‘passado glorioso’. Parece que o autor carrega o fardo da decadência, ainda que, apesar de muitos acreditarem que não, são os autores que ainda tentam extrair o que resta de essencial em nossos dias. Sobre a burguesia citada por Gerald Thomas: a sala dos espelhos que antes refletia o monarca, agora reflete o burguês enfeitado dos pés à cabeça. O autor sobrevive nas frestas.**************
    MAU FONSECA: ícones do passado podem ter chegado ao fim, mas existe uma quantidade enorme de autores (dramaturgos, compositores, artistas plásticos, poetas, escritores, etc) caminhando com a tal de Arte dia após dia.*****Contrera: desculpe-me se distorci a sua colocação. Apenas acho que o ‘rigor’ (da forma como usei), ou seja, o ‘rigor’ academicista, muitas vezes destrói tudo aquilo que não é cúmplice de modelitos estéticos.

  19. Mau Fonseca] [SP

    Acho que vc mesmo respondeu Gerald. Vc é autor, vc é criador. E não apenas diretor teatral. Pegar Shakespeare e criar adaptações de peças que já estao sendo encenadas por séculos é uma coisa; mas escrever, compor e criar novas peças, enfim, é muito mais complexo, e importante. Hoje o mundo é repleto de diretores, e maestros, regendo Mosart, Bethovem, Bach, ou diretores encenando Shakespeare, entre outros, mas há poucos criadores, poucos escritores, poucos compositores pra dar continuidade a Arte. As vezes penso que a arte acabou e dentro de nosso século só há espaço pra ressonancias, ecos das vanguardas, do moderno, do anti-moderno, do pós-moderno, sei la. Vc e alguns outros poucos, e escassos por aí, ainda são o ultimo respiro de criaçao.

  20. Patricia Aguille] [NY

    Te adoro.
    Minha ins-PIRAÇÃO.

  21. Contrera

    Gerald, querido
    1) vc sabe o quanto te amamos. e isso porque vc ama. simples. vc se preocupa com o outro. ou vc acha que esqueci a conversa que tivemos no sesc anchieta? e que vc saiu chorando? e que lá eu te disse, pela primeira vez apenas, o PAI que vc é para mim?
    2) o mundo tem muita mediocridade, sim, e hoje ela parece SER tudo. mas, e daí? é aqui que todos nos encontramos. onde? no teu espaço. em tua casa. onde mais eu encontraria o punk, a celia, a gilda, o sérgio, o jorge, o carlos, etc.? hein, hein? em NOWHERE PLACE, caralho.
    3) fuck all them, brother. fuck all them (citação de Expresso para o Inferno, adaptação de filme de Kurosawa).

    Carlos: eu não disse jamais que o rigor é para descobrir se arte é arte. isso não existe. isso está no mundo dos fenômenos. o que disse é que tenho amor também pelo conceito e que nesse amor eu busco, como meus grandes professores (poucos), sim, continuar também a tarefa de nossos pais na filosofia: os gregos.
    flw!
    Contrera

  22. Ana

    G., dá pra sentir o abismo que vc enfrenta daqui. Sei lá, mas acho que, e justamente por saber dessa politicagem que “finge sobre o fingir” sem o menor constrangimento, é que uma arte – AUTORAL – como a SUA, NÃO PODE DEIXAR DE EXISTIR. Além de autoral, vc é o encenador que mais trinca, estilhaça, e por isso dilacera, toda a realidade ao redor de sua criação. Ninguém sai da mesma forma que entrou numa peça sua, e podem dizer o que disserem; podem até, por talvez morrerem de medo do que sentem, fingirem que não entendem nada, criarem polêmicas em torno da sua nacionalidade, como se só quem vivesse no Brasil soubesse do real (é um trocadilho, sim). (ct.)

  23. Ana

    Mas eu, particularmente, acho que é isso que faz do seu teatro, o real espetáculo da desumanidade absoluta. Se existe quem finge que não vê a realidade, e prefere um texto adaptado para poder colocar todos os pontos nevrálgicos num patamar de ilusão, problema dessas pessoas. Vc disse algo muito bonito no seu PS do post abaixo. Vc disse que “as coisas se encontram e enxergam” depois da vida. E é bem isso. Se as pessoas ainda não entenderam que toda a “miscigenação” de situações que vc cria não deixa de ser proposital, é uma pena. Elas ainda vão ao teatro esperando algo menos radical. Algo mais distante de suas realidades (já) confusas. No fundo, a gente sabe que essa merda (a vida, o sentido, o próprio mundo) se esfacelou, e por isso se faz presente um teatro de reconstrução (um horror de termo, eu sei), de remembers, de remontagens. (ct.)

  24. Ana

    Ver você, seus atores, ouvir seu texto, sua voz, se manter fiel às batidas do coração diante da geometria humana, desumana, e humana, que vc apresenta é um ato de coragem. Não existiu uma vez em que eu voltei para minha casa depois de assistir à uma peça sua, sem estar totalmente de posse dos meus pensamentos. Sem me sentir totalmente VIVA com tudo o que isso implica de “agradável” e “desagradável”. Perceber como vc une no palco quase todos os fragmentos mais importantes do século XX e início de XXI, em detalhes dignos de fazer brotar uma sensibilidade embotada diante do TANTO, é atestar que isso não é pra qualquer UM. Você é o ÚNICO que consegue isso. Você é esse UM. Não deixe isso ficar só na história antes da hora… Existirá o momento certo de parar, e acho que ARTE é tudo o que disseram, mas é basicamente RESISTÊNCIA. (ct.)

  25. Ana

    É através dela que dizemos NÃ-ÃO. Não queremos. Não vamos acreditar. Não acreditamos. Não nos enrolem. E alguém pode dizer “pra quê?”, afinal nada muda. O papel da arte não é transformar o tecido social. Até pq. o tecido social não absorve/ apreende a arte. Ou a consome, e espalha na mesa de centro para provar o consumo, ou não é arte; é o tal entretenimento. O tecido social só vai sentir o PESO da arte verdadeira, quando ela traçar um paralelo histórico, então, meu caro, vc tem chão. E desistir agora significaria um olhar para aquelas torres gêmeas, sem um esboço de reação. Seria a morte em vida. O momento pede vida na morte. A morte está banalizada. Concebe-se a vida muito facilmente. (ct.)

  26. Ana

    Parar diante disso? Soltar o braço, quando se sabe que o salão inteiro pode nem estar prestando atenção, mas é você quem vence a queda de braço? Seria como assinar uma petição pela canastrice completa. Vc, sendo quem é, deve ir até o fim, deitar o braço do oponente, quebrar a mesa. Aí, o salão pára. Na marra, até, pela barulheira, mas pára. (mais uma vez: desculpe por usar tantos blocos, mas resumir algo ligado a você não dá certo; vc já cria síntese suficiente, pra gente funcionar bem como espelho em reflexo, e tudo isso é um tesão, é vida, é arte, é pensamento, é pul-sa-ção!)

  27. ruy filho] [são paulo

    E fico diariamente pasmo que sua dramaturgia ainda não seja enxergada. perceba, nem digo mais entendida, disso desisti. Mas enquanto alguns insistem em te transformar em guardas de trânsito, abstraindo de sua arte os valores reais de sua criação, eu vou continuar insistindo aqui e alí. É curioso ver uma platéia, como foi na ufscar, ano passado, descobrir que na estética da tua cena cabe a descoberta da palavra que a conduz à realidade. Mas é triste saber que ainda entre os próprios artistas, tão pouco é compreendido.Fui te descobrindo no convívio. Fui te encontrando na rotina. Mas basta o primeiro encontro, o primeiro cruzar de olhares para certificar-se de seu valor. É, Gerald, enquanto muito se discute e filosofa sobre abstrações, pouco, na verdade, se enxerga do que está a palmo de distância. Sigo na luta por teu reconhecimento (ainda que isso pareça prá lá de estranho!). Mas sem isso, então nada mais me parece possível. Beijos e escute apenas o que vale à pena! RUY FILHO.

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